o que tiver que ser, será. será [?]

Mais uma obra da série "textos quilométricos e sem coesão"...
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Assustador não é o que sai da minha cabeça, mas o que não sai do meu peito.
Às vezes, eu me pego pensando: "será que Deus interfere em nossas vidas?" Como se fosse um deísta, eu mesmo respondo: "claro que não. Nesta vida, você é o seu próprio deus". Meu lado cristão rebate: "se o teu governo for baseado no dEle, você terá outra vida de recompensa. Senão, só Deus sabe..."

Não me parece tão surreal acreditar nesta relação simbiótica entre o Criador, que quer ser adorado, e a criatura, que depende de suas diretrizes. Não à toa, em outros casos, imagino Deus dizendo: "seu destino, escrevo certo em linhas tortas, mas é você quem escolhe onde colocar as vírgulas e os pontos". A verdade é que cansei de pedir a Deus, acho que está na hora de acrescentar mais vírgulas em meus períodos, pontuar melhor minha vida.

Sempre tive a impressão de que Deus mudava meus planos para me dar sinais, respostas. Mas, depois de um tempo, percebi que não fiz as perguntas certas. Não fiz nada certo. Nunca soube se os desencontros eram testes para minha fé, nunca soube se os encontros foram trotes do destino...

Sinceramente, eu mal sei como proceder, porque não vim com manual e mapa algum, tampouco os mapas astrais me ensinaram a guiar o coração sem desviar das frustrações. Deus, por que não me deu Teu juízo em vez de Tua imagem e semelhança [?] Por que não me fez mais racional, indiferente aos sentimentos [?] É frustrante chorar por quem nem merece o seu sorriso e se declarar pra alguém que nem merece teus suspiros. É um desgosto ser romântico.

Pior que ser romântico é ser idealista... Os fracassos recorrentes vão inibindo o romantismo, mas não há nada que mude a vontade do idealista. E quando o idealista e o romântico são uma única pessoa, temos um problema.

Stanley Milgram teorizou que apenas seis pessoas nos separam de qualquer outra pessoa no mundo. Será que isto vale para o amor [?] Porque, se assim for, acredito que ela ficou para trás ou não existe ninguém a frente.

Estar sozinho nunca foi uma condição para mim, mas uma situação. Eu escolhi estar assim. Eu podia me atracar com uma mal amada qualquer ou corresponder aos olhares lançados por garotas maravilhosas... Mas quando eu não estava compromissado com uma paixão não correspondida, estava fugindo de uma em potencial. E só houve uma fuga sem sucesso...

Em 1998, eu conheci uma garota que mudaria minha vida. Não foi minha primeira paixão, eu já me declarava por uma amiga um ano antes. Mas acho que foi meu único amor. Sério, estou certo disto - gostar dela foi meu maior acerto, desistir dela deu origem a uma sucessão de erros. É impressionante, pois ter gostado de uma garota como ela soa como uma realização em minha vida. A única realização, eu diria.

Será que me apaixonei pela mesma pessoa duas vezes [?] Ou quer dizer que aquele amor de infância prevaleceu apesar de um grande intervalo de negação [?] Será que é meu saudosismo inventando outra ou sou visionário o suficiente para entender que procurar por ela em outras não deu certo... Não sei. Sei que recorrentemente me lembro dela, sem esforço algum... Mas já foi diferente, eu fazia questão de lembrar.

Durante os quatro anos que convivemos, minha memória, embora irregular, guardou detalhes que deixariam o texto ainda menos coeso. E durante um bom tempo, quando estávamos em salas diferentes, eu procurava por ela nas excursões e pelos seus trabalhos nos murais da escola. Até olhava o carômetro na ausência do professor, só para ver como ela estava crescendo.

Devo ter sido o primeiro stalker da minha turma. Mas minha atração não era puramente visual. Se assim fosse, estaria perdido – minha escola sempre foi um poço de beldades. Eu poderia escolher por quem mostrar devoção, mas fui escolhido. Fui escolhido por aquela garota que sorria enquanto falava, não ignorava minhas cartas ou me rejeitava com o olhar... Eu poderia descrevê-la de A a Z, praticamente, e nada seria acrescentado pelo calor da emoção, porque eu tive mais de uma década de distanciamento e os atributos foram apenas reforçados. Ela continua carismática, idealista, inteligente, meiga, simpática e muito mais.

Por que, Deus, minha memória fez questão de guardar o nome inteiro daquela garota [?] Por que nunca me esqueci da fachada do seu prédio e de sua localização, tendo em mente aquele momento em que fui entregar uma caixa de bombons e uma carta [?] Por que, eu que sou tão petulante, me acovardei com aquela que merecia todo esforço desmedido, toda exposição ao ridículo que as outras desfrutaram.

Ela foi a minha paroxetina de efeito imediato, ela me acalmava... Ela poderia arrancar de mim mais do que suspiros e me fazer de bobo por muito tempo, mas não fez. Ela não foi como as outras. É diferente de tudo.

As paixões passam com o tempo, enquanto o amor só aumenta. Eu me apaixono por qualquer coisa, até por avatar editado no Instagram... Meu olhar é uma lente tele-objetiva captando a graça dos pequenos detalhes. Não é nenhum segredo... Eu me apaixono pelo novo, mas só consigo amar o "antigo", o duradouro.

Por isto tudo, não me acovardei de novo, tentei dizer isto e muito mais pessoalmente, por mais patético que parecesse, por pior que pudesse ser a imagem que ela tem de mim. Talvez, por saber que além de patético é tudo sincero e acreditar que nenhuma garota mereça tanto toda a minha redenção.
- Fotografia: The Joy Ballad (2008), de Parris Whittingham e Archan Nair

Se eu não conhecesse a história com detalhes, eu já acharia brilhante. Com tudo o que sei, acho ainda mais sensacional cada letra e cada vírgula.

Belas vírgulas, e pontos também! A falta de coesão não existe (duvido ser coeso quando o assunto é amor, né? A gente se perde e fala o que sente, não o que pensa).
Sempre me pergunto também se sou eu ou Deus quem faz minha história, algo assim... E só parece que faço tudo errado (também)!... Até nas coisas patéticas eu peço ajuda: "Deus, já que eu não chego à uma conclusão sozinha, me dá um sinal se for para eu ligar par ele?", eu escuto algo, e falo: "Tá, é pra eu ligar? Ou não? Se for para eu não ligar, dê um sinal mais forte"...E eu fico esperando e reafirmando todos os sinais, tal que eu sempre me perco.
Enfim, eu só acho que ser sincero e dizer o que sente é um risco. Se estiver disposto, garanto que uma resposta concreta você terá (e se será "sim" ou "não" basta. O que não podemos é viver com a pergunta e imaginar a resposta, porque isso é autoflagelação. Ou a indagação morre ou você busca a resposta, sabe?).
Assim eu falei.

Fico pensando, como este menino pode ser tão talentoso assim! Ele faz da sua história algo mágico com as palavras. Não sei se para quem foi escrito trouxe as emoções devidas, se não trouxe pena para ela, só sei que quando o amor é verdadeiro ele merece a admiração de todos. Quem é amada(o) tem o dever de ao menos reconhecer e se sentir privilegiada, ainda mais nos dias de hoje. O texto é excelente tanto na forma que foi escrito, como também na maneira brilhante de expressar seu amor. show de bola

Verdadeiro e Lindo! Simples assim!
Parabéns pelo texto e pela coragem. Só os fortes não temêm expor as verdades do coração!